segunda-feira, 8 de setembro de 2014

DROGAS ESCONDIDAS EM VEÍCULOS PASSAM PELA FRONTEIRA

TV GLOBO, FANTÁSTICO, 07/09/2014 21h43

Mais de 80 toneladas de drogas são apreendidas escondidas em veículos. Foz do Iguaçu e Guaíra, na fronteira com o Paraguai, fazem parte da rota do tráfico internacional.






Mais de 30 mil veículos, carros, ônibus, caminhões, passam todos os dias pela fronteira do Brasil com o Paraguai. A maioria deles não têm nada de errado, mas alguns...E quando a Polícia Rodoviária Federal faz um pente fino e pega um desses.

Você precisa ver como os traficantes tentam passar droga pela fronteira. Tem droga no parachoque, no assoalho, no tanque de combustível. Só este ano já foram apreendidas mais 80 toneladas de cocaína, crack e maconha nessas operações.

Os policiais se preparam para abordar um carro suspeito. Eles sacam as armas e mandam o motorista parar. A polícia sabe que há droga no veículo.

O motorista é preso. Os policiais saem em perseguição a outro carro suspeito na BR-277, a principal rodovia do Paraná.

A informação que a Polícia Rodoviária recebeu é de que um carro tinha vindo na frente para passar as informações para outro carro que vinha atrás com a maconha.

Fantástico: Qual a função do batedor num caso desses?

“O batedor ele vai na frente do ilícito para ver se tem polícia na pista, para ver se está livre”, explica Sérgio Malysz, policial rodoviário federal.

Mais dois são presos.

“Esse aqui aparentemente é o tal do cavalo doido. O pessoal carrega de maconha e vem na louca aí, e tenta passar o posto, mas esse aqui deu azar”, diz Renato Duarte, policial rodoviário federal.

A droga apreendida enche quase 20 caixas.

“Todos eles vão ser autuados por crime de tráfico de entorpecentes e associação para o tráfico”, afirma o delegado da Polícia Civil Luiz Sodré.

Os números impressionam. Somente este ano, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 87 toneladas de maconha, cocaína e crack em todo o país. É um aumento de 150% em relação ao mesmo período no ano passado.

Foz do Iguaçu e Guaíra, na fronteira com o Paraguai, fazem parte da rota do tráfico internacional.
O país vizinho é um dos principais produtores mundiais de maconha.

Grande parte da droga que entra no Brasil vem assim: no porta-malas, em cima dos bancos dos carros à mostra! Mas os traficantes desafiam a polícia com esconderijos cada vez mais difíceis de encontrar.

"Esse veículo tem alguns indícios de que ele pode ter sido adulterado para transportar algum produto ilícito. Um barulho mais seco pode indicar uma adulteração do parachoque”, analisa Paulo Mileski, policial rodoviário federal.

"Alguns desses parafusos, às vezes eles estão soldados, para que o policial não consiga abrir e desestimule a prática, a retirada”, conta Paulo Mileski.

Os policiais chegam a demorar quatro horas para tirar mercadorias de um carro com fundo falso.

Cinco policiais procuram fundos falsos num veículo. E encontram vários. Tinha maconha em um compartimento no motor, debaixo dos bancos da frente, no para-lamas e no para-choque traseiro.

“Exige do policial um conhecimento amplo, tanto da questão do veículo, saber onde pode ter fundo falso, como também da própria entrevista que ele faz com o motorista, com a pessoa que está responsável pelo veículo, que pode passar para os policiais uma impressão de que está tentando enganar ou simplesmente um nervosismo”, explica o policial rodoviário federal Raone Nogueira.

Numa outra ocorrência, os policiais praticamente desmontaram a carroceria desta caminhonete.
O veículo estava forrado de maconha e de cocaína e tinha mais: 200 quilos de maconha transportados em um carro de passeio.

Em outro veículo, primeiro, os policiais tentaram com um martelinho. Até apelarem para uma barra de ferro. De cada 100 kg de maconha apreendidos pela PRF no Brasil, 25 foram pegos nesta faixa de fronteira, este ano.

Na caminhonete, eles começaram tirando o forro das portas, mas tiveram de desmontar praticamente o veículo inteiro.

"A droga agora está dentro do duto de ar condicionado”, diz o policial.

“É comum a gente estudar os modelos dos veículos, das marcas, para saber onde é possível que tenha ali um espaço que a pessoa pode colocar ou droga ou produtos de contrabando e descaminho”, conta Raone Nogueira.

Às vezes, é preciso chamar os bombeiros. Só com equipamento especializado para abrir a lataria e tirar centenas de tabletes de dentro de um caminhão-tanque. Era um carregamento: mais de mais de quatro toneladas de maconha: a maior apreensão do ano, na região.

Agora você vai acompanhar uma das apreensões mais improváveis: os policiais balançam o carro e desconfiam que tem droga escondida dentro do tanque. E estão certos!

São 22 tabletes de cocaína misturados ao combustível. Os traficantes também usam outros disfarces, como balanços infantis e caixas de som.

Na última sexta-feira, numa ação muito parecida, os policiais encontraram três toneladas de maconha escondidas num fundo falso enorme na carroceria de uma carreta. Os bombeiros foram chamados de novo para retirar as placas de metal, que camuflavam a carga ilegal.

E não basta identificar o esconderijo.

“Não basta identificar. Tem que comprovar, para ter todo o respaldo legal de fazer a documentação e encaminhar para o órgão competente”, explica Raone Nogueira.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

JOVENS DA SERRA GAÚCHA EXECUTADOS NO PARAGUAI


Encontrados no Paraguai corpos que seriam de jovens de Bento Gonçalves. Polícia paraguaia enviou fotos de homens encontrados na beira de um rio e família de um deles já fez o reconhecimento

ZH  19/08/2014 | 07h201


Lucas Morini e Dionatan Dias deixaram de contatar a família em 25 de julhoFoto: Montagem sobre fotos de arquivo pessoal/ Divulgação


Depois de 24 dias, o desaparecimento de dois amigos de Bento Gonçalves, na serra gaúcha, começou a ser desvendado nesta segunda-feira. Segundo a Polícia Civil, fotos enviadas por agentes do Paraguai de dois homens encontrados na beira de um rio seriam dos jovens gaúchos.

A família de Lucas Morini, 23 anos, já fez o reconhecimento através das imagens na tarde desta segunda, pois estava com a polícia quando elas chegaram às mãos dos agentes. A identificação do segundo corpo, que seria de Dionatan Cordova Dias, 28 anos, está marcada para a manhã desta terça-feira.

— Acreditamos que seja mesmo ele (Dionatan), devido às tatuagens encontradas no corpo, mas o reconhecimento oficial será feito amanhã (terça-feira) — adianta a delegada Isabel Pires Trevisan.

Ainda conforme ela, os corpos estavam parcialmente dentro de um rio na cidade de San Alberto, a cerca de 870 quilômetros de Bento Gonçalves.


Lucas e Dionatan viajaram para Santa Catarina na tarde de 25 de julho, onde supostamente visitariam parentes. A investigação apontou que os dois chegaram a passar pelo Estado vizinho, mas ingressaram no Paraguai no dia seguinte. De lá, saíram cerca de uma hora e meia depois e retornaram para Santa Catarina. Desde então, não contataram mais a família.

— Estávamos investigando de tudo. Pedimos fotos de mortos e de acidentes do Brasil e do Paraguai, quebra de sigilo telefônico, ouvimos testemunhas, procuramos entre os presos. Hoje, depois de todo um trâmite burocrático entre os países, vieram essas fotos e tudo leva a crer que sejam eles — aponta a delegada.

Isabel diz que ainda não há suspeitas sobre o que aconteceu com os jovens e a forma como foram mortos. A investigação deve ficar com a polícia do Paraguai, pois os corpos foram encontrados lá.

Entenda o caso

Lucas Morini, 23 anos, e Dionatan Cordova Dias, 28 anos, eram vizinhos no bairro Progresso, de Bento Gonçalves, na serra gaúcha. Desempregado, Lucas tinha um filho de quatro anos e estava separado há mais de cinco meses. Dionatan, que tinha um filho de sete anos, morava com o pai e trabalhava comoauxiliar em uma empresa de embalagens. Os jovens não tinham passagens na polícia.

A bordo de um Fiat Idea verde, pertencente a uma tia de Lucas, eles viajaram para Santa Catarina na tarde de 25 de julho, onde supostamente visitariam parentes.

A investigação apontou que os dois chegaram a passar pelo Estado vizinho, onde estiveram na casa do ex-companheiro da mãe de Lucas, em Palmitos.

No entanto, imagens de segurança comprovam que, pouco tempo depois, o Idea passou pela Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Ciudad del Leste, no Paraguai. Uma hora e meia depois, eles retornaram a Santa Catarina e não fizeram mais contato com os familiares.

ENTERRADO CORPO DE GAÚCHO EXECUTADO NO PARAGUAI


Corpo de morador de Bento Gonçalves morto no Paraguai será sepultado na manhã desta quarta. Dionatan Cordova Dias foi executado ao lado do amigo Lucas Morini, no final de julho

ZH 03/09/2014 | 06h45


Foto: Claudio Vaz / RBS


O corpo de Dionatan Cordova Dias, 28 anos, executado a tiros no Paraguai, será sepultado na manhã desta quarta-feira. A Funerária Rhema, que fez o traslado, afirmou que o corpo chegou durante a noite ao Estado. O enterro ocorre às 8h em Restinga Seca, no Centro do Rio Grande do Sul. Não há velório.


Dionatan morava em Bento Gonçalves e foi assassinado ao lado do amigo Lucas Morini, 23, no município paraguaio de Itakyry, a cerca de 100 quilômetros de Foz do Iguaçu, no Paraná. Os jovens deixaram Bento Gonçalves no dia 25 de julho com destino ao Paraguai.

A polícia do país vizinho encontrou os corpos no dia 27 de julho, às 8h, com várias marcas de disparos. Como estavam sem identificação, os dois foram enterrados como indigentes. Nos dias 18 e 19 do mês passado, familiares reconheceram os rapazes por fotos.

No final de semana, as famílias receberam autorização para ir ao Paraguai. Contudo, apenas Luiz Carlos da Silveira Dias conseguiu trazer o corpo do filho Dionatan ao Brasil. A família de Lucas Morini aguarda a conclusão de trâmites legais para trazê-lo a Bento Gonçalves. A expectativa é que o corpo chegue a Caxias do Sul, onde reside a mãe de Lucas, na manhã de quinta-feira.

— Minha irmã (mãe de Lucas) está lá esperando porque era preciso desenterrar, tudo isso demora. Era para ter sido hoje — diz Ivane Morini Panizzi, tia de Lucas.

O motivo da viagem dos amigos ao Paraguai não foi esclarecido. De acordo com a investigação, Dionatan e Lucas seguiram de Bento até Santa Catarina. Eles passaram pela cidade do Palmitos, onde mora um ex-companheiro da mãe de Lucas. No dia seguinte, conforme imagens de câmeras de monitoramento, o Fiat Idea verde dirigido pelos rapazes passou pela Ponte da Amizade por volta das 10h.

Uma hora e meia depois, há a imagem do carro retornando. A estrutura liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Ciudad del Leste, no Paraguai. O ex-companheiro da mãe de Lucas confirmou que os amigos retornaram a Palmitos no dia 26. A última ligação de Lucas para a mãe foi no dia 27, a 1h, dizendo que eles voltariam ao Paraguai. Sete horas mais tarde, os corpos foram encontrados na beira de um rio.

Não há imagens dessa segunda ida da dupla ao país vizinho. Por conta disso, suspeita-se que eles tomaram uma rota alternativa. A investigação dos assassinatos está sob a responsabilidade da polícia paraguaia.



domingo, 31 de agosto de 2014

REDE DE PROTEÇÃO BURLAVA A SEGURANÇA DA FRONTEIRA

REVISTA ISTO É N° Edição: 2336 | 29.Ago.14


As visitas de Abdelmassih ao Brasil. Enquanto esteve foragido, ele veio ao País e até participou de um churrasco em Jaboticabal (SP). O MP apura como funcionava a rede de proteção ao ex-médico



Raul Montenegro



Capturado no Paraguai após mais de três anos foragido depois de ser condenado a 278 anos de prisão pelo estupro de 37 mulheres, o ex-médico Roger Abdelmassih teve apoio de uma ampla rede de proteção enquanto esteve foragido. Manteve contato com parentes, amigos e até com um psiquiatra de São Paulo com quem ele e a mulher, a ex-procuradora Larissa Sacco, fizeram terapia de casal durante a estada no Exterior. Tinha tanta segurança de que não corria perigo de ser pego que visitou regularmente o Brasil nesse período. O porto seguro era Jaboticabal (SP), terra natal de Larissa. Segundo as investigações iniciais, o casal usou uma casa num pacato bairro do município para se encontrar com a família quando já viviam no Paraguai. Elaine Sacco, cunhada do ex-médico, manteve o imóvel alugado entre 23 de março de 2012 e 15 de fevereiro de 2013. ISTOÉ apurou que Abdelmassih participou, inclusive, de um churrasco para 15 pessoas no local em 2012. O grupo de vítimas do ex-médico recebeu relatos semelhantes de moradores de Jaboticabal.


PORTO SEGURO
Elaine Sacco, cunhada de Abdelmassih, alugou por um ano a casa
onde ele participou de um churrasco para 15 pessoas em 2012



As pessoas mais próximas também operavam uma diversificada engenharia financeira para permitir que a fortuna acumulada pelo ex-médico no Brasil cruzasse a fronteira. Abdelmassih recebeu, por exemplo, recursos de Ruy Marco Antônio, ex-dono do Hospital São Luiz, em São Paulo. Mas o Ministério Público (MP) suspeita que a maior parte dos repasses se dava por outras duas frentes. A primeira envolvia grandes quantidades de dinheiro em espécie, escondido provavelmente em São Paulo e Jaboticabal. O MP trabalha com a hipótese de que os valores eram intermediados pela cunhada Elaine e por Maria Stela Abdelmassih, irmã do ex-médico. Era notório que ele aceitava pagamento em dólares na sua clínica. A investigação aponta que funcionários da família faziam o transporte até o Paraguai.

A segunda envolvia um esquema de lavagem de dinheiro. Uma das empresas por trás da rede seria a Colamar, aberta no nome de Larissa e controlada por Elaine, que teria como objetivo remeter, às escondidas, recursos para o casal. Uma das suspeitas do MP recai sobre negociações feitas em 2010 entre a Colamar e uma produtora de frutas de Bebedouro (SP). A produtora destinou ao menos R$ 5,2 milhões à companhia dos Abdelmassih. Também está na mira do MP um banco paulistano dono de fazendas que pertenceram ao condenado. A transferência de propriedade foi feita em 2009, às vésperas da condenação, mas até hoje a instituição não passou as terras adiante. Usadas para o cultivo de laranjas, elas demandam uma expertise que não faz parte das atividades de um banco. A promotoria ainda investiga o caso, e os envolvidos poderão responder por lavagem de dinheiro, falsidade documental e favorecimento pessoal. ISTOÉ procurou Maria Stela e Elaine, mas elas não se pronunciaram.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

OS NOVOS IMIGRANTES SOB A AMEAÇA DOS COIOTES

ZERO HORA 18/08/2014 | 05h01

Traficantes de pessoas chegam a cobrar US$ 2 mil para trazer haitianos, que também sofrem extorsão de policiais e taxistas no Peru e na Bolívia. Rede de corrupção inclui venda de vistos e outros documentos falsificados

por Carlos Rollsing e Humberto Trezzi


"Por sorte, eu tinha dinheiro, mas muitos haitianos que ficam na mesma situação são obrigados a passar fome", diz RoldyFoto: Diego Vara / Agencia RBS


Falar com os novos migrantes radicados no Rio Grande do Sul (personagens de reportagem especial publicada na ZH deste domingo) também é colher testemunhos de um martírio. Quase todos penaram no caminho até o Brasil, sobretudo os que ingressaram pelo Acre, na fronteira com o Peru. São frequentes os relatos de extorsão por parte de coiotes – traficantes de seres humanos – e da polícia estrangeira, além de casos de estupro.

Wilkenson Samsom, 19 anos, vive com o pai em Encantado. Ambos trabalham em frigorífico da Dália Alimentos. Para realizar o sonho da vida melhor, o jovem teve de pagar US$ 300 a coiotes e policiais peruanos. Situação semelhante ocorreu com Roldy Julien, 25 anos, presidente da Associação Haitiana de Encantado. Ele fez a rota da maioria dos seus compatriotas: foi até Quito, no Equador, e lá tomou um ônibus que atravessou parte do país, ingressou no Peru e chegou até a fronteira do Brasil, entrando pelo Acre.

No Peru, com quatro amigos, foi extorquido duas vezes. Na primeira, o quarteto teve de pegar 500 sóis (moeda peruana) e mais US$ 300. Receberam um salvo-conduto. Dias depois, perto do Brasil, foram abordados novamente. Veio a notícia de que o papel que tinham em mãos já não valia mais. Dessa vez, Julien foi forçado a pagar sozinho a quantia de US$ 200. Seu passaporte ainda ficou apreendido por uma semana, tempo em que ele precisou se desdobrar com o dinheiro que lhe restava para garantir teto e comida.

— Não sei se tem ladrão no Peru. Mas parece que a polícia é pior — desabafa Julien, que, no Rio Grande do Sul, perdeu três dedos da mão direita em um acidente de trabalho.


Os relatos se repetem desde 2010, quando explodiu a nova imigração para o Brasil. Em maio de 2011, 20 haitianos recorreram à Polícia Federal em Tabatinga (AM), denunciando um compatriota deles chamado Repert Julien, 28 anos, que teria descumprido promessa de hospedagem paga por eles. Em 5 de julho daquele ano, os federais prenderam Julien, que cobrava até US$ 2 mil para trazer haitianos do Peru ao Brasil. Foi o primeiro inquérito de uma série.

No Acre, foi preso em abril de 2013 o jogador de futebol haitiano Innocent Olibrice, quando tentava embarcar no aeroporto de Rio Branco um garoto de 13 anos, haitiano, para Macapá (AP). Innocent, que atuava num time acreano e foi solto cinco dias depois, responde a processo judicial por tráfico de pessoas e estelionato. De acordo com as investigações da PF, o atleta está envolvido numa rede de coiotes. Ele foi contratado pela família do menino para encaminhá-lo à Guiana Francesa ao custo de 500 euros (o equivalente a cerca de R$ 1,5 mil).

Innocent negou a acusação, mas é processado. A pena para o tráfico é de um a três anos de reclusão e expulsão do país.A socióloga Letícia Mamed entrevistou centenas de migrantes no Acre e constatou: a fuga em razão da falta de trabalho, educação, saúde, habitação e segurança no seu país de origem impulsiona a migração, seja legal ou ilegal. No Haiti, por exemplo, esse negócio conta com despachantes, falsificadores, aliciadores e coiotes no processo de agenciamento. Relatos também informam existir naquele país a venda de vistos e outros documentos falsificados, inclusive supostas facilidades que prometem acelerar a viagem. Algo que aumentou após o terremoto de 2010.

Na viagem ao Brasil, os haitianos pagam entre US$ 2 mil e US$ 5 mil (valor semelhante ao cobrado de ganeses entrevistados por ZH em Criciúma e em Caxias do Sul). E são vítimas frequentes de extorsões praticadas por policiais e taxistas, sobretudo peruanos e bolivianos. Letícia estima que, de 2010 a 2014, os haitianos já teriam gasto cerca de R$ 6 bilhões em pagamentos à rede de tráfico e corrupção estruturada para chegar ao Acre.

E não só haitianos. Em torno de 16 diferentes nacionalidades já passaram pelo acampamento montado pelas autoridades acreanas na fronteira com o Peru. Todos mostram receio em falar sobre os contatos, a organização do percurso, os agentes contratados e a realização da viagem em si. E quando decidem falar sobre o assunto, geralmente as explicações são pactuadas pelo grupo antes da exposição ao interlocutor.





Empresas agilizam os vistos e arranjam emprego aos migrantes

A vigorosa migração de africanos e centro-americanos para o Brasil tem rendido lucros a dois tipos de empresas: as que se especializam em legalizar a situação dos imigrantes e as que prometem colocá-los no mercado de trabalho. O primeiro serviço é o mais urgente – sem ele, o forasteiro fica clandestino. O segundo é necessário para viabilizar financeiramente a permanência do estrangeiro no país. Esse tipo de intermediação é permitido pela lei.

Em Criciúma, maior polo de atração de ganeses para o Brasil, Zero Hora recebeu a informação de que uma das empresas que legaliza a situação de estrangeiros é a Fullvisa, de Brasília. O site da firma anuncia alguns dos serviços oferecidos: visto temporário para quem tem trabalho no Brasil, transformação do visto temporário em permanente, solicitação de permanência definitiva com base em casamento com brasileira (o). No item Nossa Visão, a Fullvisa não esconde a meta: “Atingir a liderança no mercado nacional de imigração de estrangeiros”.

Como a Fullvisa se localiza em Brasília, torna-se mais fácil e ágil a entrada, acompanhamento e eventuais visitas aos órgãos responsáveis pela análise dos pedidos de visto, uma vez que estes se encontram na Capital Federal – justifica a empresa, que atua há 10 anos.

Proprietário da Fullvisa, o administrador de empresas Charliston Ferreira admite que seu ganha-pão é a legalização de estrangeiros, mas nega que priorize a nova onda de migrantes africanos e centro-americanos. Trabalha mais com auxílio a empresas europeias e americanas que pretendem trazer seus funcionários para o Brasil, para pequenas ou grandes temporadas.

– Agimos como despachantes especializados em estrangeiros. Atuamos em processos administrativos junto ao Ministério do Trabalho, requisições de visto à Polícia Federal. Conseguimos legalizar a situação de algumas centenas por ano – diz Charliston, que aprendeu o ofício nos EUA.

Agência ganha a cada empregado

Outra empresa que atua na legalização de estrangeiros é a Overseas, com sede em São Paulo. O foco é em grandes empresas multinacionais que precisam estabilizar a vida de seus funcionários estrangeiros no Brasil, mas também legaliza novos migrantes caribenhos e africanos. Há poucos dias, a Overseas conseguiu agilizar vistos para 20 haitianos que atuam num supermercado e em duas firmas de construção civil. Foi contratada pelas empresas, não pelos migrantes.

– Prestamos consultoria, ensinamos os caminhos mais ágeis – resume Mateus Valério, gerente da Overseas.

Nem ele, nem o dono da Fullvisa revelam valores cobrados.


Fábrica de móveis contrata migrantes via agência que atua há 21 anos na Serra. Foto: Diego Vara, Agência RBS

O passo seguinte, para o migrante, é conseguir serviço. É aí que entram empresas como a Talentum, agência de empregos que atua há 21 anos na região serrana do Rio Grande do Sul. No ano passado, eles arranjaram serviço para 80 migrantes africanos e caribenhos. Foram trabalhar em indústrias de sucos, de móveis, autopeças e limpeza. O recrutamento e seleção exige que pelo menos um do grupo de migrantes fale português ou espanhol. Ele será o guia dos demais nas negociações de trabalho. E qual o ganho da Talentum?

– Cobramos do empresário que vai dar emprego aos migrantes 50% do primeiro salário de cada um dos novos empregados. É uma taxa padrão – informa Ricardo Soldatelli Borges, proprietário da Talentum, que é psicólogo e ajuda a fazer a triagem. – O valor não é deduzido dos contracheques.

Borges se orgulha dessa atividade e diz que desconhece reclamações quanto à qualidade do serviço prestado pelos migrantes:

– Com a presença dos estrangeiros, diminuíram as queixas quanto a faltas ao serviço e empregados doentes.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

ATAQUES A NAVIO NO PORTO DE RIO GRANDE

CORREIO DO POVO 01/08/2014 00:31

Ananda Müller/Rádio Guaíba

Polícia Federal abre inquérito para investigar ataques a navios no Porto de Rio Grande. Embarcações foram invadidas durante a madrugada desta quinta-feira



Invasão teria acontecido durante a madrugada
Crédito: Divulgação Polícia Federal / CP


A Polícia Federal (PF) abriu nesta quinta-feira inquérito para investigar dois ataques realizados contra navios atracados em águas próximas ao Porto de Rio Grande, no Sul do Estado. De acordo com nota divulgada pela assessoria da PF, o primeiro navio foi invadido por volta das 3h, à distância de 10 milhas além da barra. Conforme informações preliminares, alguns contêineres armazenados no interior da embarcação foram arrombados e embalagens de carne foram roubadas. A suspeita é de que os invasores tenham fugido em uma pequena embarcação.

O segundo caso foi registrado em um navio de bandeira espanhola que fazia o transporte de gás. O barco foi invadido pelos bandidos por volta das 5h, no Canal do Porto. A tripulação percebeu a presença dos invasores e o alarme foi acionado, momento em que os bandidos fugiram com o auxílio de cordas pela lateral do navio. O bando escapou também em uma pequena embarcação.

A Polícia Federal realizou a coleta de provas e impressões digitais, e deve ouvir a tripulação dos navios invadidos para tentar identificar os autores das ações criminosas. Além disso, as imagens das câmeras de segurança do Porto de Rio Grande devem ser solicitadas para auxiliar nas buscas aos suspeitos. A Polícia também não descartou que o mesmo grupo seja o autor dos dois ataques.





sábado, 19 de julho de 2014

CEM QUILOS DE MACONHA EM URUGUAIANA

CORREIO DO POVO 19/07/2014 09:41

Ação da PF apreende 100 quilos de maconha em Uruguaiana. Toyota Corolla transportava droga na BR 290 e dois homens foram presos




Ação da PF apreende 100 quilos de maconha em Uruguaiana
Crédito: Polícia Federal / Divulgação / CP


Uma ação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu na madrugada deste sábado 100 quilos de maconha em Uruguaiana, na Fronteira Oeste do Estado.

Segundo informações dos policiais rodoviários, a apreensão ocorreu no km 714 da BR 290, quando a droga foi encontrada em um Toyota Corolla que era conduzido por um idoso de 66 anos.

O homem era acompanhado por um comparsa, que estava em um segundo veículo, um Ford Ka, que serviu de batedor. Os suspeitos foram encaminhados à PF do município para o registro do flagrante.